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ENCCEJA: reflexões significativas.

Por Alessandra Camargo *

Hoje fiz uma retrospectiva da minha vida estudantil e pude observar o quanto é impressionante a carência de estudo para muitas pessoas. O fato ocorreu porque fui aplicadora da exame do ENCCEJA/2007, no qual encontrei pessoas realizando a prova, com as quais tive contato anteriormente, com um estudei a 7ª série em 1983, da outra fui professora entre 1994 a 1996. Fiquei pensando... o que levou estas pessoas a pararem de estudar? Olhei a expressão no rosto de cada um delas, a impressão que tive foi de cansaço, mas também de preocupação, medo, insegurança! Em uma havia indícios de trabalho pesado ( mãos com graxa – possivelmente trabalhara como mecânico), em outra a barba já branca, com óculos na ponta do nariz, e um forte sinal de expressão na testa. Tantas informações corporais geraram muitas hipóteses. Qual seria o real motivo de não prosseguirem nos estudos? Minha vontade de perguntar a cada uma, quase me sufocara. Mas, no momento não cabia isso.

Voltei meu pensamento para minha trajetória de estudo. Lembrei que, como filha de professora de rede estadual, estudei em escola pública durante o Ensino Fundamental, confesso que havia dificuldades sócio-econômicas que poderiam ter me levado ao mesmo caminho destas pessoas que hoje tive a oportunidade de re-encontrar. Porém minha sorte foi melhor. Concluí o Ensino Médio ( 1986) em escola particular, porque comecei a trabalhar e eu mesma custeava esta despesa. Nesta época havia muitas greves no estado ( Goiás), e orientada por minha mãe, para não ficar prejudicada nos estudo eu optei por trabalhar e pagar com meu salário a escola particular, preferi investir nos estudos, hoje tenho certeza que minha opção foi correta. Quanto aos meus colegas do Ensino Médio da escola particular, pelas informações que tenho, poucos têm nível superior: advogados, professores, arquiteto. Muitos se dedicaram a apenas ao trabalho no comércio, outros se detiveram a fazer várias outras coisas que não o prosseguimento aos estudos. Outros tantos optaram por constituírem família. Posteriormente cursei a Faculdade, fiz duas pós-graduações e fico pensando....onde estariam estas pessoas, por onde andariam meu colega e meu ex-aluno, neste período? Os colegas de faculdade, alguns têm pós-graduação ou chegaram a cursar outro curso universitário, outros estacionaram na graduação e estão até hoje. Concluo com isso que quanto mais se estuda mais se quer alcançar maiores níveis de escolaridade, pois o mundo exigi isso a cada um de nós, a todo momento.

Hoje estou aqui, aplicando esta prova que tem por objetivo dar oportunidade para àqueles que não estudaram na época adequada à idade. Fui recentemente selecionada em um mestrado e me “aperta o peito” olhar para meu colega e meu ex-aluno e perceber o quanto perderam e mais ainda, em saber que 313.949 de brasileiros se vêem na mesma situação. Poderíamos estar um no lugar do outro. O que falta? Escolas? Professores? Vontade própria? Persistência? Políticas Públicas? Qualidade? Pais compromissados? Disciplina? Emprego??
De uma coisa eu tenho certeza, estudar e prosseguir nos estudos vai muito além do que estar dentro de uma sala de aula. É primordialmente o “desejo” de ser alguém e, sobretudo, acreditar na transformação através da educação, é mudar o rumo da sua história. O “erro” nem sempre é sinal de incompetência, mas é a possibilidade de corrigir algo que não foi possível, sem ficar se justificando em situações sócio-econômica-cultural para dizer que não teve oportunidade na vida. Cada um de nós é do tamanho que a gente quer!

Esse minha reflexão é um convite a cada leitor deste texto, para que a façam também, se colocando no tempo e espaço, e como isso, perceba se ganharam ou perderam. Contudo, com a consciência de que nunca é tarde para recomeçar e avançar. Que possamos fazer alguma coisa por estas pessoas que passaram em nossas vidas. Que nos mobilizemos para isso e assim contribuamos com elas e transformemos essa situação, indesejada para todos nós! Eu fiz a minha parte, agora faça a sua!!!

Nunca imaginei que uma simples aplicação de provas, poderia me fazer refletir tão profundamente e ter tanto significância para mim.

* Alessandra Camargo é professora graduada em Letras e Especialista em Língua Portuguesa e Psicopedagogia Clínica. Assessora de Planejamento e Avaliação da DRE de Araguaína e professora de pós-graduação em Gestão Escolar/UFT. Mestranda em Educação pela UnB ( minter Unitins).

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